A relação mulher–cerveja é mais profunda do que certamente você imagina. As mulheres, através dos séculos, tiveram um papel importantíssimo na história da nossa querida e amada cerveja. Mas o que elas fizeram? Muiiita, mas muiiita cerveja!

Nos idos de 400 a.C., tanto na Babilônia quanto na Suméria, as Sabtiem (mulheres cervejeiras) eram consideradas pessoas especiais, com poderes divinos. Eram pessoas de prestígio na sociedade da época.

Produzir cerveja foi por muito tempo uma atividade exclusivamente caseira, portanto, era uma tarefa doméstica destinada às mulheres. Como os ingredientes para produzir cerveja eram os mesmos do pão, era costume fazer a cerveja ao mesmo tempo que se fazia o pão. 

No norte da Alemanha, até o século XVI, os utensílios para produção de cerveja faziam parte do enxoval da noiva.  Não seria nada mal se esse costume voltasse, não é mesmo?

Também existe uma lenda escandinava ligando mulheres e cerveja. Segundo a lenda, o guerreiro morto em combate se tornaria imortal se tivesse bebido da cerveja feita pelas Valquírias. (Estas eram deidades femininas menores que serviam Odin sob as ordens de Freia)

Dentre os vikings, era decretado por lei que só mulheres poderiam produzir cerveja.  Inclusive os utensílios destinados à produção de cerveja eram de propriedade exclusiva das cervejeiras.

Todos já ouviram falar de Martinho Lutero, pai da Reforma Protestante, e talvez saibam que ele foi casado com Catarina de Bora. O que nem todos sabem, é que Catarina era uma exímia cervejeira, que aprendeu a fazer cerveja em um mosteiro.

Katharina Von Bora

Katharina Von Bora

Falando em figuras históricas, na Idade Média, o Rei Alreck de Hordoland na hora de escolher sua esposa, ao contrário do que se imaginaria hoje, não a escolheu por atributos físicos ou dote. O Rei escolheu uma mulher chamada Geirheld para ser sua Rainha. Geirheld era famosa por seus dons cervejeiros. Não poderia ter feito escolha melhor.

Com a produção da cerveja, algumas mulheres começaram a conquistar sua independência financeira, o que obviamente gerou algumas reações moralistas no final do século XVI. Leis foram criadas com o intuito de restringir a prática. Porém, o domínio das mulheres na produção da cerveja foi diminuir apenas no final do século XVIII, quando houve um interesse masculino na produção, além de empresas, iniciando assim a produção em grande escala.

Aliado à isto, também houve a introdução do lúpulo na produção, o que exigia novas técnicas de produção. Naquela época, apenas os homens tinham acesso à tecnologias e também eram considerados mais aptos ao comércio do que as mulheres. 

Hoje a produção da cerveja está mais nas mãos dos homens, porém, cada vez mais as mulheres estão consumindo o líquido sagrado e sua opinião tem sido levada fortemente em consideração. Profissionais de marketing, baseados nessa maior participação feminina, tem proposto mudanças significativas na comunicação das cervejarias e no perfil de novos produtos. As mensagens transmitidas pelos produtos estão mais sofisticadas e menos machistas, o que infelizmente ainda não é regra entre as cervejarias. Mas sejamos otimistas, um dia chegaremos lá (ou voltaremos)!

Eaí, ainda acha que cerveja é coisa de homem?

Por Milena Alves da Rosa

 

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